Datilologia:
o alfabeto manual
da Libras
Do abecedário da Xuxa às palavras que nascem dos sinais soletrados — entenda o que é datilologia e qual é o seu papel na Língua Brasileira de Sinais.
A memória que você carrega
Se você foi criança nos anos 1990 ou tinha filhos pequenos naquela época, com certeza viu a Xuxa cantar seu Abecedário. Seja nos programas na televisão ou nos materiais de divulgação, a loira que era “rainha dos baixinhos” aproveitava para apresentar o alfabeto manual em Língua Brasileira de Sinais. Aquela é a base da datilologia — a soletração de uma palavra ou frase usando a formação de letra por letra.
O que é datilologia
O alfabeto manual de Libras é uma representação, com as mãos, das letras do alfabeto da língua oral. A datilologia é o uso desse alfabeto para soletrar palavras ou frases, uma a uma, letra por letra.
Quando se usa
Normalmente, a datilologia é usada para tratar de substantivos próprios (como nomes, marcas, lugares), palavras que não têm sinal conhecido, para explicar a um surdo como é a escrita em português, ou até mesmo palavras da língua portuguesa que foram incorporadas à Libras.
Nomes próprios
Pessoas, marcas e lugares que ainda não possuem um sinal estabelecido na comunidade surda são soletrados letra por letra.
Palavras sem sinal
Termos técnicos, neologismos ou expressões específicas que ainda não têm representação gestual consolidada em Libras.
Ensino do português escrito
Explicar a um surdo como uma palavra é escrita em português, relacionando a grafia ao alfabeto manual.
Empréstimos linguísticos
Palavras do português incorporadas à Libras que mantêm uma referência visual à sua escrita original.
Imagine se toda conversação em Libras ocorresse letra por letra. Seria cansativo, demorado e de difícil compreensão. A datilologia é um recurso — não a língua em si.
Datilologia ≠ Libras
O emprego da datilologia não substitui a Libras, que tem sua própria configuração gramatical e estrutura linguística rica e complexa. A Libras depende de diversos fatores para que a mensagem seja captada: expressões faciais, posição do corpo, direção do olhar e o espaço de sinalização. Para a maioria das palavras, existe um sinal específico.
Os sinais soletrados podem ser considerados uma etapa ou um estágio da datilologia que apresenta forma, ritmo e movimentos próprios. Algumas palavras em Libras acabam nascendo inspiradas justamente nesses sinais soletrados, com aglutinação de letras.
Como nascem palavras em Libras
Uma das coisas mais fascinantes da Libras é que algumas palavras nascem diretamente dos sinais soletrados. Ao longo do uso cotidiano, letras se aglutinaram e ganharam movimento próprio, criando novos sinais. Veja como esse processo acontece:
Início: soletração completa
Uma palavra nova (nome, marca, conceito) entra na comunidade e é soletrada letra por letra usando o alfabeto manual.
Uso repetido e aceleração
Com o tempo e o uso frequente, a soletração ganha ritmo e velocidade, tornando-se mais fluida e natural.
Aglutinação de letras
Algumas letras se fundem ou se reduzem, criando uma configuração de mão que representa o conjunto, não cada letra individualmente.
Nasce um novo sinal
O gesto se estabiliza e é adotado pela comunidade como um sinal legítimo em Libras — com forma, ritmo e movimento próprios.
Uma língua viva que se transforma
Assim como o português incorpora neologismos e estrangeirismos, a Libras está em constante evolução. Novos sinais surgem a partir de processos como a datilologia, de decisões da comunidade surda e de pesquisas linguísticas. A língua não é estática — ela cresce, se adapta e reflete a cultura e as necessidades de quem a usa. Muito legal, né?
Saiba mais: O que é Libras?
A datilologia é apenas uma das ferramentas da Libras. Para entender a estrutura completa da língua — sua gramática, os parâmetros dos sinais, as expressões não-manuais — confira nosso guia O que é Libras? e aprofunde seu conhecimento sobre essa língua fascinante.
E você, já sabia o que é datilologia? A Libras é uma língua completa, com gramática, história e cultura próprias. Conhecê-la é um passo para um mundo mais acessível para todos.
Referências
- BARROS, Mariângela Estelita. ELiS – Escrita das Línguas de Sinais: proposta teórica e verificação prática. Tese de Doutorado. Florianópolis: UFSC, 2008.
- QUADROS, Ronice Muller de; KARNOPP, Lodenir Becker. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004.
- PORTAL EDUCAÇÃO. Alfabeto Manual de Libras. Disponível em: portaleducacao.com.br.
- STELLE, Taline Galan; STRIEICHEN, Eliziane Manosso. Os principais mitos sobre os surdos e a língua de sinais. Disponível em: libras.com.br.
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