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Tecnologia

LSE

Recurso de acessibilidade audiovisual para surdos e ensurdecidos que não usam Libras como língua principal. A LSE vai além da legenda comum, incluindo indicações de sons, efeitos sonoros e identificação de locutores.

Definição

LSE (Legenda para Surdos e Ensurdecidos) é um recurso de acessibilidade audiovisual que vai além da legenda comum: inclui falas, descrições de sons relevantes, efeitos sonoros ([aplausos], [música de fundo]), identificação de quem está falando e informações musicais. Regulamentada no Brasil pela ABNT NBR 15290:2005.

Fonte: ABNT NBR 15290:2005

O que é LSE?

LSE é a sigla para Legenda para Surdos e Ensurdecidos. É um recurso de acessibilidade audiovisual desenvolvido especificamente para pessoas que não podem ouvir o conteúdo sonoro de um vídeo, programa de televisão, filme ou qualquer mídia audiovisual.

A principal característica que diferencia a LSE da legenda convencional é que ela não se limita a transcrever as falas. A LSE descreve o ambiente sonoro completo do conteúdo, incluindo sons que têm relevância para a compreensão narrativa ou emocional da obra.

O termo “ensurdecidos” refere-se às pessoas que perderam a audição após a aquisição da linguagem oral. Para elas, o português escrito é a forma natural de acesso ao conteúdo textual, diferentemente de surdos com Libras como primeira língua.

O que a LSE deve incluir

A ABNT NBR 15290:2005 define os elementos que devem compor uma LSE completa e de qualidade:

Falas e diálogos

Toda a fala dos personagens ou locutores, transcrita fielmente, incluindo marcação de sotaques e idiomas estrangeiros quando relevante para a narrativa.

Identificação de locutores

Quando não é visível quem está falando (voice-over, voz fora de campo, personagem fora da tela), a LSE deve identificar o locutor entre colchetes ou por meio de cores diferenciadas para cada personagem.

Efeitos sonoros relevantes

Sons que contribuem para a compreensão da narrativa: [porta batendo], [sirene ao longe], [troveja], [aplausos]. Apenas sons relevantes para o enredo ou para a compreensão emocional da cena devem ser includos.

Informações musicais

Quando há música, a LSE deve indicar o gênero ou o caráter emocional [música suspense], a letra quando cantada, e o nome da música e artista quando identificados e relevantes.

Norma técnica: ABNT NBR 15290

A ABNT NBR 15290:2005 é a norma técnica brasileira que regulamenta a acessibilidade em comunicação audiovisual, incluindo a LSE. A norma estabelece:

  • Requisitos técnicos de velocidade de exibição das legendas
  • Regras de posição na tela e tamanho mínimo das legendas
  • Critérios para identificação de locutores e sons
  • Orientações sobre sincronismo entre áudio e texto
  • Critérios de adaptação para diferentes tipos de conteúdo

A norma é aplicada principalmente à televisão aberta e fechada, mas seus princípios orientam também a produção de LSE para plataformas de streaming e conteúdo digital.

LSE versus Libras: quando usar cada um

Um equívoco comum é tratar LSE e interpretação em Libras como alternativas intercambiáveis. São recursos complementares, destinados a públicos distintos:

LSE

Destina-se a surdos e ensurdecidos que têm o português escrito como principal meio de comunicação. Inclui pessoas que ficaram surdas após a aquisição da linguagem, com deficiência auditiva parcial, e surdos oralizados. É um recurso de acesso textual ao conteúdo sonoro.

Janela de Libras

Destina-se a pessoas surdas cuja língua natural é a Libras, para quem o português escrito é uma segunda língua. A janela de Libras traduz o conteúdo para a língua de sinais, tornando-o acessível na língua em que o usuário pensa e se comunica naturalmente.

Para uma acessibilidade audiovisual completa, o ideal é oferecer ambos os recursos: LSE para o público com surdez adquirida e o português como língua principal, e janela de Libras para a comunidade surda usuaria de Libras.

LSE na TV aberta e no streaming

As obrigações de LSE para emissoras de TV aberta brasileiras são reguladas pela ANATEL e pelo Ministério das Comunicações, com critérios progressivos de cobertura. As emissoras são obrigadas a oferecer LSE em uma porcentagem crescente de sua programação.

No streaming, a situação é diferente: não há legislação específica para plataformas de vídeo por demanda no Brasil no mesmo nível de detalhe que existe para a TV aberta. A LBI estabelece princípios gerais de acessibilidade que se aplicam a esse setor, mas a regulamentação específica ainda está em desenvolvimento.

Plataformas internacionais como Netflix e Amazon Prime já oferecem LSE em conteúdo original brasileiro como prática padrão, ainda que os requisitos técnicos variem.

Como produzir LSE de qualidade

A produção de LSE de qualidade envolve etapas que vão além da simples transcrição das falas:

  1. Análise do conteúdo: Identificar todos os sons relevantes para a narrativa, além das falas
  2. Roteirização: Adaptar o texto para a velocidade de leitura adequada, sem perda de conteúdo
  3. Descrição de sons: Escrever descrições claras e concisas para efeitos sonoros e músicas
  4. Sincronismo: Garantir que as legendas apareçam no momento correto em relação ao áudio
  5. Revisão: Validação idealmente com participação de pessoas surdas e ensurdecidas

A velocidade de exibição das legendas é um parâmetro crítico: a norma indica que LSE deve ser exibida em velocidade que permita confortavelmente a leitura pelo público-alvo, o que pode exigir adaptação do texto original.

LSE e a LBI

A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), Lei 13.146/2015, estabelece o direito das pessoas com deficiência ao acesso à informação e à comunicação, incluindo conteúdos audiovisuais acessíveis.

No âmbito da LBI, a LSE é uma das formas de cumprir a obrigação legal de acessibilidade audiovisual. A lei prevê que:

  • Programas de TV devem ser acessíveis a pessoas com deficiência auditiva
  • Eventos públicos e privados devem oferecer recursos de acessibilidade comunicacional
  • Serviços de radiodifusão devem progressivamente ampliar a cobertura de recursos de acessibilidade

O descumprimento das obrigações de acessibilidade previstas na LBI pode sujeitar as empresas a sanções administrativas e ações civis públicas. O campo da acessibilidade audiovisual está em crescimento no Brasil, com demanda crescente por profissionais especializados em produção de LSE.


Perguntas frequentes sobre LSE

LSE significa Legenda para Surdos e Ensurdecidos. É um recurso de acessibilidade audiovisual que vai além da legenda comum, incluindo indicações de sons relevantes, efeitos sonoros, identificação de quem fala e informações musicais.

A legenda convencional transcreve apenas as falas. A LSE também inclui sons não-verbais relevantes como [aplausos], [música tensa], [porta batendo], identificação de locutores e letras de músicas, tornando o conteúdo completamente acessível a quem não pode ouvir.

Não. A Libras é uma língua visual-motora para pessoas surdas cuja língua natural é a Libras. A LSE é uma legenda em texto para surdos e ensurdecidos que usam o português escrito como forma de acesso ao conteúdo audiovisual. São recursos complementares.

Sim, para determinados tipos de conteúdo. A ABNT NBR 15290:2005 regulamenta a LSE no Brasil e a LBI (Lei 13.146/2015) estabelece obrigações de acessibilidade audiovisual que incluem a LSE.

Fontes e referências

  • ABNT NBR 15290:2005. Acessibilidade em comunicação na televisão. Associação Brasileira de Normas Técnicas.
  • Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI).
  • ANCINE. Orientações sobre acessibilidade audiovisual.
  • Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura.

Apoiado por Libras.se

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