Influenciadores surdos relatam dificuldade com publis
Criadores surdos quebram estereótipos e furam bolhas na internet, mas ainda enfrentam cachês menores e menos contratos publicitários do que colegas ouvintes.

A internet abriu portas e quebrou barreiras para os criadores de conteúdo com deficiência auditiva, permitindo alcançar quem não fala seu idioma materno, a Língua Brasileira de Sinais. Mesmo com esse avanço, eles ainda encontram dificuldade para fechar contratos publicitários e conseguir mais visibilidade.
Leonardo Castilho, poeta, ator e educador que acumula mais de 50 mil seguidores no Instagram, ficou surdo aos 10 meses de idade. Em conversa com o Glamurama, relatou que algumas empresas oferecem um cachê menor a criadores surdos, com a justificativa de que o português não é a primeira língua de pessoas nessa condição.
Mesmo tendo estrelado campanhas de grandes marcas e participado de conteúdos sobre desmistificar estigmas em torno da surdez, Leo vê, e sente, a disparidade. Segundo ele, pessoas surdas e sinalizantes precisam usar legendas e, às vezes, contratar um intérprete para fazer a voz em português nos vídeos de campanha, enquanto criadores ouvintes não têm esse custo.
Gabriel Isaac, com deficiência auditiva desde o primeiro ano de vida, soma mais de 98 mil seguidores e já chamou a atenção de grandes nomes. Ainda assim, conseguiu um único grande patrocínio em cinco anos. Para ele, algumas marcas subestimam o engajamento de influenciadores surdos. "Isso mostra o quanto a comunidade surda é invisibilizada", afirma.
Furando bolhas
Ambos veem na internet uma forma de furar bolhas e atingir um público maior. "Percebi que podia alcançar muita gente, quebrar barreiras e fazer as pessoas conhecerem o nosso mundo", conta Isaac.
Leo complementa: "A internet não só furou bolhas, mas também ajudou as pessoas surdas a encontrarem a sua comunidade e cultura. É impressionante que, hoje, muitos ouvintes não sinalizantes sigam a nossa comunidade". Para os dois, conquistas como essas só foram possíveis com o avanço de pautas sobre diversidade, e ainda é preciso aprofundar a educação para que a comunidade surda seja cada vez mais incluída.
Fonte: Equipe LIBRAS.SE, com reportagem de Gabriela Piva, do Glamurama.
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