Tradutor de Libras se destaca no Rock in Rio
Tradutor e intérprete de Libras levou experiência profunda aos surdos que foram ao festival no primeiro fim de semana de Rock in Rio.

O Palco Sunset do Rock in Rio 2022 recebeu vários rappers. Mas quem conseguia despregar o olho do centro do palco durante as apresentações pode ter reparado em uma figura à esquerda, perto das caixas de som, que ajudava a transmitir o show a quem não podia ouvir as músicas. O intérprete Leo Castilho, de 34 anos, traduzia as canções para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Com isso, pôde levar à população surda a profundidade das apresentações musicais ao vivo.
"Pra trabalhar com essa pegada artística e visual, a gente precisa pensar muito a questão do corpo, porque é uma comunicação visual, também. Então a gente precisa entender o ritmo, a variação de notas musicais, e tentar fazer uma espécie de brincadeira. Não dá pra acompanhar sinal por sinal, porque fica até feio, né? É essa mistura de poesia e arte que a gente tenta fazer", disse o intérprete após o show de Criolo.
Leo, que é surdo, conversou com a equipe do GLOBO por meio de seu parceiro de trabalho, Rafael da Mata. Segundo o intérprete, a colaboração entre os dois é vital. "Ele ouve, passa os sinais, e eu não copio tudo que ele está dizendo, mas eu coloco ali uma questão cultural, da maneira como eu sinto já que ser surdo está na minha veia. É uma perspectiva minha que eu coloco na minha interpretação."
Exemplo positivo
Leo trabalha no Rock in Rio desde 2017, e diz que nota alguns avanços na área da acessibilidade a pessoas surdas em eventos, mas é preciso mais. "A gente quer vivenciar essas questões na prática. Na área artística, [queremos] surdos artistas participando, se apresentando nesses espaços e divulgando isso em show, mostrando a língua de sinais e as pessoas surdas participando desses momentos", destaca.
O intérprete acredita que seu trabalho ajuda nessa divulgação, mas o apoio da equipe é fundamental. Para que eventos alcancem novos públicos, é preciso haver membros desses públicos na organização, em sintonia com colegas com quem se tenha a intimidade necessária para desenvolver o trabalho.
"Esse acesso é muito importante. Eu sou uma pessoa surda e divulgo isso para outras pessoas surdas. Eles veem a gente, veem que a gente é capaz e que eles também podem. Às vezes as pessoas pensam que surdo não gosta de música. Como assim? Nós estamos aqui", finaliza.
Créditos e referências
Texto: Jéssica Rodrigues, com informações do jornal Extra.
- Extra. Rock in Rio 2022: tradutor de língua brasileira de sinais se destaca no Palco Sunset. Setembro de 2022. A matéria é do Extra; no texto, o jornal registra que Leo conversou “com a equipe do GLOBO”, jornal do mesmo grupo.
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