O que faz o intérprete de Libras? O tradutor e intérprete de Libras (TILS) é o profissional que leva a mensagem entre a Língua Brasileira de Sinais e o português, falado ou escrito, sempre que pessoas surdas e ouvintes precisam se comunicar. A profissão é regulamentada pela Lei nº 12.319/2010, que desde a Lei nº 14.704/2023 exige formação específica na área.
A profissão de Tradutor e Intérprete de Língua de Sinais (TILS) é reconhecida por lei e exige estudo, formação e prática. São esses profissionais que levam qualquer conteúdo aos surdos que se comunicam pela Libras: uma aula, uma consulta, um depoimento, um evento ou um vídeo. Sem eles, boa parte dos direitos garantidos às pessoas surdas fica só no papel.

O que faz o intérprete de Libras
A Lei nº 12.319, de 2010, define as atribuições do tradutor e intérprete no artigo 6º. O texto original lista cinco tarefas:
- Mediar a comunicação entre surdos e ouvintes, entre surdos, entre surdos e surdocegos e entre surdocegos e ouvintes, da Libras para a língua oral e vice-versa;
- Interpretar aulas e atividades culturais nas instituições de ensino, do fundamental ao superior, para garantir o acesso aos conteúdos;
- Atuar em processos seletivos das instituições de ensino e em concursos públicos;
- Apoiar a acessibilidade aos serviços das instituições de ensino e das repartições públicas;
- Prestar serviço em depoimentos na Justiça e em órgãos administrativos ou policiais.
A Lei nº 14.704/2023 acrescentou ao artigo um parágrafo com mais três atribuições: intermediar a comunicação entre surdos e ouvintes, da Libras para a língua oral e vice-versa; intermediar a comunicação entre surdos, da Libras para outra língua de sinais e vice-versa; e traduzir textos escritos, orais ou sinalizados do português para a Libras e outras línguas de sinais, e vice-versa.
A mesma lei incluiu na regulamentação o guia-intérprete, profissional que domina ao menos uma das formas de comunicação usadas por pessoas surdocegas. E deixou claro que a atividade acontece em qualquer área ou situação em que pessoas surdas ou surdocegas precisem se comunicar com quem não fala a sua língua.
Traduzir e interpretar
Como o próprio nome diz, são "tradutores e intérpretes". Na tradução, o profissional trabalha sobre um texto fixo, escrito ou gravado, e tem tempo para estudar, pesquisar termos e revisar, como ao passar um vídeo gravado para a janela de Libras. Na interpretação, a mensagem é passada na hora: a lei pede competência para interpretar as duas línguas de forma simultânea ou consecutiva, como numa palestra.
Nos dois casos, não basta trocar palavras. O profissional precisa dominar e compreender as ideias, a gramática das duas línguas e a cultura surda, além dos aspectos sociais e emocionais do contexto.
É esse conjunto de fatores que permite uma comunicação eficiente com os surdos que se comunicam por Libras.
Equipe LIBRAS.SEUma profissão regulamentada: a formação exigida
A profissão foi regulamentada no Brasil em 1º de setembro de 2010, pela Lei nº 12.319. Desde a Lei nº 14.704, publicada em 26 de outubro de 2023, o exercício da profissão de tradutor, intérprete e guia-intérprete é privativo de quem tem uma destas formações:
- Curso técnico de nível médio em Tradução e Interpretação em Libras;
- Bacharelado em Tradução e Interpretação em Libras e Língua Portuguesa, em Letras com habilitação em Tradução e Interpretação em Libras ou em Letras-Libras;
- Diploma em outra área, mais curso de extensão, formação continuada ou especialização de no mínimo 360 horas e aprovação em exame de proficiência em tradução e interpretação entre Libras e português.
Quem já estava habilitado pelas regras anteriores pode continuar atuando. E quem obtiver depois da nova lei uma das formações previstas na redação original tem permissão para atuar por seis anos contados da publicação, isto é, até outubro de 2029.
A lei limita a jornada a 6 horas diárias ou 30 horas semanais. Trabalhos de tradução e interpretação com mais de uma hora de duração devem ser feitos em revezamento, com no mínimo dois profissionais. O texto também cobra rigor técnico e ética: sigilo sobre a informação recebida, imparcialidade, fidelidade ao conteúdo e conhecimento das especificidades da comunidade surda.
Onde o intérprete atua
A lei não limita o trabalho a um setor: o intérprete atua onde houver uma pessoa surda que precise se comunicar. Veja as principais áreas e as regras que valem para algumas delas.
Educação
O Decreto nº 5.626/2005 obriga as instituições federais de ensino a ter tradutor e intérprete de Libras em seus quadros, e a Lei Brasileira de Inclusão prevê a oferta desses profissionais nas escolas.
Saúde
O mesmo decreto determina que o SUS e as empresas que prestam serviço público de saúde atendam pessoas surdas com profissionais capacitados no uso da Libras ou na sua tradução e interpretação.
Justiça
A Lei nº 12.319 cita os depoimentos em juízo e em órgãos administrativos e policiais. O Código de Processo Civil manda o juiz nomear intérprete para partes e testemunhas que se comunicam em Libras, quando solicitado.
Eventos
Palestras, congressos, shows e cerimônias pedem interpretação simultânea. Quando o evento passa de uma hora, vale a regra do revezamento: é preciso ao menos uma dupla de intérpretes.
Mídia e vídeo
A Lei Brasileira de Inclusão inclui a janela com intérprete de Libras entre os recursos que a TV deve permitir. Na internet, a janela leva aulas, campanhas e vídeos institucionais a quem tem a Libras como primeira língua.
Atendimento a distância
Na interpretação remota, o profissional atende por vídeo, em tempo real, quem está em outro lugar.
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A Febrapils e a organização da categoria
Os profissionais se organizam em associações estaduais, reunidas na Febrapils, a Federação Brasileira das Associações dos Profissionais Tradutores e Intérpretes e Guia-Intérpretes de Língua de Sinais. Fundada em 22 de setembro de 2008, a federação orienta e apoia essas associações e atua em três frentes: formação inicial e continuada, profissionalização à luz do código de conduta e ética, e engajamento político da categoria. Ela também publica uma lista de referência de honorários.
Prova prática: o que pode mudar
O Projeto de Lei 3.878/2024 propõe que tradutores, intérpretes e guias-intérpretes passem por uma avaliação prática e de competências, além de comprovar a formação. A avaliação poderia ocorrer em processos seletivos simplificados, concursos públicos ou entrevistas.
O texto foi aprovado em 12 de agosto de 2026 pela Comissão de Educação e Cultura do Senado, em decisão terminativa, e remetido à Câmara dos Deputados em 24 de agosto. Ainda não é lei. A Febrapils e a Feneis, a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, enviaram ao relator uma nota técnica conjunta com sugestões de ajuste. Os detalhes estão no post intérprete de Libras pode ter prova prática para ser contratado.
Dia do Tradutor e Intérprete de Libras
Você sabia?
O dia 26 de julho é celebrado pela categoria como Dia do Tradutor e Intérprete de Libras. A data nasceu em Santa Catarina, com a Lei estadual nº 16.364/2014, que criou o Dia Estadual do Tradutor/Intérprete da Libras e hoje está consolidada no calendário oficial do estado pela Lei nº 16.719/2015. Outros estados adotaram o mesmo dia, como Pernambuco, em 2024. Não há lei federal sobre a data.
A ponte da inclusão
O intérprete é o responsável por garantir a inclusão de pessoas surdas: é o elo de uma comunicação em que todos compreendem o que está sendo dito, ou exibido, no caso de vídeos. Da interpretação simultânea em eventos à interpretação remota, é esse trabalho que abre as portas da informação.
Créditos e referências
Texto: Jéssica Rodrigues, com informações da Presidência da República, da Agência Câmara, da Agência Senado, da Febrapils e das assembleias legislativas de Santa Catarina e de Pernambuco.
- Presidência da República. Lei nº 12.319, de 1º de setembro de 2010 (regulamenta a profissão; texto atualizado com as mudanças da Lei nº 14.704/2023, incluindo o art. 6º).
- Presidência da República. Lei nº 14.704, de 25 de outubro de 2023 (formação exigida, guia-intérprete, jornada, revezamento e regra de transição).
- Agência Câmara de Notícias. Entra em vigor lei que inclui guia-intérprete na regulamentação da profissão de intérprete de Libras. 26 de outubro de 2023.
- Presidência da República. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005 (arts. 21 e 25: intérpretes nas instituições federais de ensino e atendimento no SUS).
- Presidência da República. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Lei Brasileira de Inclusão, arts. 28 e 67).
- Presidência da República. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil, art. 162).
- Agência Senado. Avaliação prática poderá ser exigida de intérpretes e tradutores de Libras. 12 de agosto de 2026.
- Senado Federal. Projeto de Lei nº 3.878, de 2024 (tramitação; remetido à Câmara em 24 de agosto de 2026). Consultado em outubro de 2026.
- Feneis. Nota Técnica 006/2025: Feneis e Febrapils apresentam proposta consensual sobre o PL 3.878/2024.
- Febrapils. Sobre a Febrapils e lista de referência de honorários. Consultados em outubro de 2026.
- Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Lei nº 16.364, de 23 de abril de 2014 (Dia Estadual do Tradutor/Intérprete da Libras) e Lei nº 16.719, de 8 de outubro de 2015 (consolida o calendário de datas do estado).
- Assembleia Legislativa de Pernambuco. Lei nº 18.483, de 2 de janeiro de 2024 (Dia Estadual do Tradutor e Intérprete da Libras em 26 de julho).
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre traduzir e interpretar em Libras?
A profissão de intérprete de Libras é regulamentada?
Qual é a jornada de trabalho do intérprete de Libras?
O intérprete de Libras vai ter de fazer prova prática?
Quando é o Dia do Intérprete de Libras?
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