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Língua & Cultura · Guia

O papel da Libras na inclusão do surdo

Da língua de sinais à educação, da saúde à vida social: entenda por que a Libras é a base da inclusão de milhões de surdos no Brasil, e o que ainda falta avançar.

Por Jéssica Rodrigues Publicado em Atualizado em 6 min de leitura

O que você vai encontrar neste artigo

Setembro é azul em homenagem às conquistas da comunidade surda. É também a celebração do movimento que luta pela inclusão do surdo, por estudo de qualidade e pela preservação da língua de sinais e da cultura surda. O mês foi escolhido por concentrar datas importantes, como o Dia Internacional das Línguas de Sinais (23 de setembro) e o Dia Nacional do Surdo (26 de setembro).

Mais do que uma efeméride, o Setembro Azul é um convite para entender uma questão central: a Libras não é um detalhe da vida do surdo, ela é a base da sua inclusão. É por meio dela que milhões de brasileiros pensam, aprendem, trabalham e se expressam.

O que é a língua de sinais

Existem mais de 300 línguas de sinais no mundo, e todas se caracterizam por sinais e expressões faciais que representam pensamentos e ideias. Muito mais do que gestos, é uma língua plena, com gramática própria. No Brasil, a língua da comunidade surda é a Língua Brasileira de Sinais (Libras), com milhares de sinais reunidos no dicionário oficial mantido pelo INES.

Entenda o conceito

A Libras tem regras gramaticais próprias e é mais direta e visual que o português. Não é "português com as mãos": é uma língua autônoma, com sintaxe, configurações de mão, movimento e ponto de articulação próprios.

No Censo 2022, o IBGE contou 2,6 milhões de pessoas com deficiência auditiva no Brasil, que não ouvem ou ouvem com muita dificuldade. Estimativas mais amplas, como a do Instituto Locomotiva (2019), chegam a 10,7 milhões de pessoas com algum grau de perda auditiva. Nem todas usam Libras, mas, para quem é surdo desde cedo, ela costuma ser a primeira língua.

O que caracteriza a surdez

A surdez pode ser de nascença (congênita) ou adquirida ao longo da vida, por idade, traumas ou doenças, e afetar um ou ambos os ouvidos. A perda auditiva tem diferentes graus, medidos em decibéis (dB):

O diagnóstico é feito pelo otorrinolaringologista, geralmente a partir de uma audiometria. Mas a surdez vai muito além do exame: uma das maiores barreiras é o acesso à saúde, já que a comunicação com profissionais costuma depender da fala ou da leitura labial, tornando a presença de um intérprete de Libras essencial.

Por que isso importa

A perda auditiva também afeta a saúde emocional. Crianças e adultos surdos podem apresentar sinais de ansiedade ou isolamento quando não conseguem se expressar. O apoio da família e o acesso à língua de sinais são decisivos para o bem-estar.

Libras e educação

Nem todo surdo sabe Libras, alguns optam pela leitura labial e pela oralização. Mas, para quem se comunica em sinais, o acesso à educação bilíngue é determinante. Hoje, todas as regiões do Brasil já contam com pelo menos uma graduação em Letras-Libras, e universidades públicas disponibilizam material on-line para aprender o alfabeto e os sinais.

Garantir a Libras na escola não é um favor: é condição para que crianças surdas se desenvolvam com plenitude, no mesmo ritmo dos colegas ouvintes.

O surdo e a sociedade

Ainda estamos longe de uma sociedade igualitária para os surdos. Para que a inclusão aconteça, é preciso que ouvintes se informem, estimulem a participação e abram espaço para a pessoa surda se expressar, em outras palavras, empatia na prática. Compreender o surdo a partir de suas construções históricas, sociais e culturais é o caminho para avançar tanto na educação quanto na saúde.

Créditos e referências

Texto: Jéssica Rodrigues, com informações da Revista Encontro, do INES, do IBGE, do Instituto Locomotiva e da ONU.

Perguntas frequentes

A Libras é uma língua ou uma linguagem?
A Libras é uma língua, reconhecida nos estudos linguísticos como qualquer outra língua natural. Tem gramática, sintaxe e vocabulário próprios, não é uma simples "linguagem" de gestos.
Todo surdo sabe Libras?
Não. Alguns surdos são oralizados e usam leitura labial e fala; outros se comunicam prioritariamente em Libras. O acesso à língua de sinais depende de fatores como família, escola e momento em que a surdez surgiu.
Quantos surdos existem no Brasil?
No Censo 2022, o IBGE contou 2,6 milhões de pessoas com deficiência auditiva. Estimativas mais amplas, como a do Instituto Locomotiva (2019), chegam a 10,7 milhões de pessoas com algum grau de perda auditiva.
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