O que você vai encontrar neste artigo
- O que é a língua de sinais e por que ela é uma língua completa
- Os graus de surdez e como cada um afeta a comunicação
- O papel da Libras na educação e na saúde do surdo
- O que falta para uma sociedade realmente inclusiva
Setembro é azul em homenagem às conquistas da comunidade surda. É também a celebração do movimento que luta pela inclusão do surdo, por estudo de qualidade e pela preservação da língua de sinais e da cultura surda. O mês foi escolhido por concentrar datas importantes, como o Dia Internacional das Línguas de Sinais (23 de setembro) e o Dia Nacional do Surdo (26 de setembro).
Mais do que uma efeméride, o Setembro Azul é um convite para entender uma questão central: a Libras não é um detalhe da vida do surdo, ela é a base da sua inclusão. É por meio dela que milhões de brasileiros pensam, aprendem, trabalham e se expressam.
O que é a língua de sinais
A língua de sinais tem mais de 300 variantes no mundo e se caracteriza por sinais e expressões faciais que representam pensamentos e ideias. Muito mais do que gestos, é uma língua plena, com gramática própria. No Brasil, a língua oficial da comunidade é a Língua Brasileira de Sinais (Libras), com milhares de sinais reunidos no dicionário oficial mantido pelo INES.
Entenda o conceito
A Libras tem regras gramaticais próprias e é mais direta e visual que o português. Não é "português com as mãos": é uma língua autônoma, com sintaxe, configurações de mão, movimento e ponto de articulação próprios.
No Brasil, estima-se que existam cerca de 10 milhões de surdos, aproximadamente 5% da população, segundo o IBGE, que dependem da língua de sinais para se comunicar.
O que caracteriza a surdez
A surdez pode ser de nascença (congênita) ou adquirida ao longo da vida, por idade, traumas ou doenças, e afetar um ou ambos os ouvidos. A perda auditiva tem diferentes graus, medidos em decibéis (dB):
- Leve (até 40 dB): não altera a fala, mas dificulta entender tudo em uma conversa.
- Moderada (40 a 70 dB): há dificuldade na linguagem; pode ser necessária leitura labial.
- Severa (70 a 90 dB): a pessoa não escuta vozes e percebe poucos sons.
- Profunda (acima de 90 dB): pouquíssimos sons são percebidos.
O diagnóstico é feito pelo otorrinolaringologista, geralmente a partir de uma audiometria. Mas a surdez vai muito além do exame: uma das maiores barreiras é o acesso à saúde, já que a comunicação com profissionais costuma depender da fala ou da leitura labial, tornando a presença de um intérprete de Libras essencial.
A perda auditiva também afeta a saúde emocional. Crianças e adultos surdos podem apresentar sinais de ansiedade ou isolamento quando não conseguem se expressar. O apoio da família e o acesso à língua de sinais são decisivos para o bem-estar.
Libras e educação
Nem todo surdo sabe Libras, alguns optam pela leitura labial e pela oralização. Mas, para quem se comunica em sinais, o acesso à educação bilíngue é determinante. Hoje, todas as regiões do Brasil já contam com pelo menos uma graduação em Letras-Libras, e universidades públicas disponibilizam material on-line para aprender o alfabeto e os sinais.
Garantir a Libras na escola não é um favor: é condição para que crianças surdas se desenvolvam com plenitude, no mesmo ritmo dos colegas ouvintes.
O surdo e a sociedade
Ainda estamos longe de uma sociedade igualitária para os surdos. Para que a inclusão aconteça, é preciso que ouvintes se informem, estimulem a participação e abram espaço para a pessoa surda se expressar, em outras palavras, empatia na prática. Compreender o surdo a partir de suas construções históricas, sociais e culturais é o caminho para avançar tanto na educação quanto na saúde.
Fontes
- Equipe LIBRAS.SE, com Revista Encontro.
- INES, Instituto Nacional de Educação de Surdos e Dicionário de Libras.
Perguntas frequentes
A Libras é uma língua ou uma linguagem?
Todo surdo sabe Libras?
Quantos surdos existem no Brasil?
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