O Brasil foi a primeira sede das Surdolimpíadas de Verão na América Latina. Em sua 24ª edição, a competição teve como sede principal Caxias do Sul (RS) e reuniu 2.412 surdoatletas de 73 países, segundo o Comitê Internacional de Esportes para Surdos (ICSD), entre 1º e 15 de maio de 2022.
Brasil, primeira sede latino-americana
O Time Brasil foi composto por 199 surdoatletas, 110 homens e 89 mulheres, e, com a comissão técnica, somou 237 pessoas. Foi a maior delegação brasileira da história em sete participações no torneio e a maior daquela edição. O Brasil voltou para casa com seis medalhas de bronze, o melhor resultado do país na competição até então.
Regras e adaptações
Os atletas passam por uma audiometria que comprove perda auditiva de pelo menos 55 decibéis no ouvido melhor; não é permitido usar aparelhos auditivos nem implantes cocleares nas provas. As regras das modalidades são as mesmas das de atletas ouvintes, a única adaptação é a substituição da sinalização sonora pela visual, com bandeiras levantadas pelos árbitros.
Os atletas surdos não participam dos Jogos Paralímpicos porque têm uma competição específica, a Deaflympics, anterior à própria Paralimpíada.
Diana Kyosen, presidente da Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS)Por que surdos não competem nas Paralimpíadas
As modalidades esportivas para surdos não dependem de adaptações por condições físicas ou intelectuais. A barreira é linguística: o que muda é a comunicação. Por isso os surdoatletas competem entre si, sem precisar de intérpretes na disputa, e têm uma competição própria.
A entidade que organiza os jogos é o Comitê Internacional de Esportes para Surdos (ICSD), fundado em 1924 e reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional em 1955. O ICSD chegou a fazer parte do Comitê Paralímpico Internacional, mas saiu em 1995 para manter os próprios jogos. Desde 2001, o evento se chama oficialmente Deaflympics.
O papel dos intérpretes
Os atletas são as estrelas, mas a comunicação depende dos tradutores-intérpretes. Foram 30 profissionais envolvidos, atuando em duplas, um tradutor-intérprete de Libras (TILS) e um intérprete de sinais internacionais. Uma central on-line atendia às demandas, com equipes também nos locais de disputa, já familiarizadas com a sinalização específica de cada esporte.
Sobre o evento
Organizadas pelo ICSD, as Surdolimpíadas acontecem a cada quatro anos. A primeira edição foi em Paris, em 1924, o primeiro evento esportivo voltado a pessoas com deficiência e o mais antigo depois das Olimpíadas.
Depois de Caxias: Tóquio 2025
A 25ª edição foi em Tóquio, no Japão, de 15 a 26 de novembro de 2025, ano do centenário dos jogos. Segundo o ICSD, foram 2.941 atletas de 79 países. O Brasil levou 118 surdoatletas.
Créditos e referências
Texto: Jéssica Rodrigues, com informações do ICSD, da Agência Brasil, do Correio Braziliense, do Terra e do Guia de Caxias do Sul. Atualizado em outubro de 2026.
- ICSD. Caxias do Sul 2022: países, atletas e resultados.
- ICSD. Tokyo 2025: países, atletas e resultados.
- ICSD. About the ICSD (história, reconhecimento pelo COI e saída do Comitê Paralímpico).
- Agência Brasil. Dirigente crê em legado positivo da Surdolimpíada no Brasil. Maio de 2022.
- Correio Braziliense. Brasil conquista seis medalhas de bronze nas Surdolimpíadas. Maio de 2022.
- Terra. Brasil sedia Surdolimpíadas pela 1ª vez; conheça evento quase centenário para atletas surdos. Abril de 2022.
- Guia de Caxias do Sul. 24ª Surdolimpíadas de Verão. Maio de 2022 (cópia no Internet Archive; a página original saiu do ar).
Perguntas frequentes
O que são as Surdolimpíadas?
Quando o Brasil sediou as Surdolimpíadas?
Como funciona a comunicação nas Surdolimpíadas?
Por que surdos não competem nas Paralimpíadas?
Atletas surdos podem usar aparelhos auditivos nas provas?
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