Técnicos de futebol americano aprendem língua de sinais para treinar quarterback surdo
Na North Greene High School, nos EUA, a comissão técnica trocou os aplicativos de mensagem e a ajuda dos irmãos do atleta pela própria língua de sinais.

Quem vê o técnico Eric Tilson pulando na lateral do campo durante os jogos da North Greene High School, no Tennessee (EUA), pode achar que é comemoração. Não é. "Se você me vir pulando na lateral, não é porque estou animado. É porque estou tentando chamar a atenção dele fisicamente", explicou à emissora WJHL (tradução livre).
"Ele" é Tanner Collins, quarterback do segundo ano do ensino médio, que é completamente surdo. Para conversar direto com o atleta, Tilson e a comissão técnica decidiram aprender língua de sinais.
Do celular aos irmãos, até a língua dele
Tilson percebeu o talento de Collins numa aula de educação física, ao ver o garoto arremessar a bola, e o convidou para jogar de quarterback. A posição exige muita comunicação com a comissão. "Então, como vamos fazer isso?", lembrou o técnico ter se perguntado (tradução livre).
No começo, a comissão testou aplicativos de mensagem de texto e usou os irmãos de Collins, que jogam no mesmo time, como tradutores. Logo os técnicos concluíram que a melhor saída era aprender a língua do atleta. "Meus técnicos estão muito empenhados em aprender sinais, e isso me mostra que eles estão realmente comprometidos em me ajudar", disse Collins (tradução livre).
Para Thomas Darnell, auxiliar que treina os quarterbacks, o ganho foi além do campo: "Sinto que o mais importante para mim foi tentar conhecer o Tanner como pessoa, antes de tudo" (tradução livre). Alguns colegas de time também aprenderam a sinalizar. "Nós sempre conversamos, e eles sinalizam comigo também, o que eu valorizo muito", contou o jogador (tradução livre).
Hoje, Collins é quarterback do time júnior dos Huskies e joga na defesa do time principal nas noites de sexta-feira. Tilson o considera um dos melhores atletas que já passaram pela escola.

Sem intermediário, a conversa é dele
Aplicativo e irmãos resolvem no improviso, mas deixam o atleta dependente de outras pessoas, ou da tela do celular, para cada instrução. Quando quem treina aprende a língua, a conversa passa a ser direta, e o jovem surdo ganha autonomia dentro e fora do campo. É a mesma lógica da professora de Curitiba que aprendeu Libras para se comunicar com um aluno surdo.
Um detalhe importante: a língua de sinais usada pela comunidade surda dos Estados Unidos é a ASL, a Língua de Sinais Americana, e não a Libras. Cada país tem a sua língua de sinais, com vocabulário e gramática próprios. A reportagem não detalha como nem com quem os técnicos estão aprendendo.
Esporte surdo e o sonho da Gallaudet
"Algumas pessoas dizem: 'Ah, você é surdo. Como joga futebol americano?' Mas eu explico que é tudo uma questão de comunicação, de sinalizar, de usar os sinais combinados e as deixas", disse Collins (tradução livre). A comunicação visual é a base do esporte surdo: nas Surdolimpíadas, por exemplo, os sinais sonoros da arbitragem são trocados por sinais visuais. No Brasil, a Libras já entrou em campo até na comemoração de gol do atacante Pedro Guilherme, do Flamengo.
Collins quer seguir no esporte depois do ensino médio. O objetivo dele é jogar pela Gallaudet University, em Washington, instituição voltada a estudantes surdos e com deficiência auditiva. O conselho que ele deixa é simples: "Não deixe ninguém dizer que, só porque você é surdo, você não consegue. Seja quem você é" (tradução livre).
Créditos e referências
Texto: Equipe LIBRAS.SE, com informações da WJHL (News Channel 11), republicadas pelo Yahoo Sports.
- WJHL (News Channel 11), McKenzie Kane: North Greene football coaches learn sign language to communicate with deaf player, 7 de outubro de 2026.
- Yahoo Sports, republicação da matéria da WJHL: North Greene football coaches learn sign language to communicate with deaf player, 7 de outubro de 2026.
- Vídeo: North Greene football coaches learn sign language to communicate with deaf QB, canal oficial WJHL no YouTube, 7 de outubro de 2026.
- Capa: reprodução da reportagem da WJHL no YouTube. Ilustração no corpo do texto: criada com IA para a LIBRAS.SE; os personagens são genéricos e não retratam o atleta nem os técnicos citados.
Precisa do seu conteúdo em Libras?
A LIBRAS.SE traduz seu conteúdo para Libras com intérpretes reais e entrega editada, pronta para publicar. Conheça também todas as nossas soluções de acessibilidade audiovisual.