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Bastidores da Libras no Rock in Rio 2026: chroma key, revezamento a cada 10 minutos e tradução do inglês em tempo real

Reportagens mostram como funcionou a tradução dos shows para a Língua Brasileira de Sinais nos telões do festival, numa operação muito parecida com a produção de Libras em vídeo.

Por Equipe LIBRAS.SE3 min de leitura
Ilustração de uma intérprete sinalizando em Libras diante de um fundo verde e de uma câmera, com outra intérprete de fones aguardando a vez e um telão de festival ao fundo
Intérprete sinaliza diante do chroma key enquanto a colega aguarda o revezamento. | Ilustração criada com IA

Quem acompanhou o Rock in Rio 2026, realizado de 4 a 7 e de 11 a 13 de setembro, viu os shows traduzidos para a Libras nos telões. Por trás dessa imagem havia uma operação com cara de estúdio. Segundo o portal Brasil em Folhas, a All Dub contratou 35 intérpretes para os palcos Mundo, Sunset e Supernova e para áreas de convivência.

Um estúdio dentro do festival

No Palco Mundo, os intérpretes trabalhavam num contêiner com chroma key, o fundo de cor única que permite recortar a pessoa e aplicar a imagem sobre outro fundo. A cada dez minutos, um profissional assumia a frente da câmera para sinalizar as letras. A imagem ia para telões de LED de 2,4 mil m², segundo o Brasil em Folhas, a mesma medida do painel frontal do novo Palco Mundo citada pelo Jornal do Brasil.

Nos shows internacionais, entrava em cena um reforço que o público não via: o “feeder”, intérprete que fica fora de cena traduzindo as letras do inglês para Libras em tempo real. Segundo o intérprete Lucas Gasparotto, o retorno de áudio e os gestos permitem que quem está no telão compreenda a música para sinalizá-la. Para Victor Pascoalini, há dez anos na área, a troca entre os profissionais ajuda a aprimorar as adaptações.

Do pop ao metal

A equipe precisa dominar gêneros que vão do pop ao metal. Luana Almeida, que interpretou uma música do Barão Vermelho, contou que a tradução busca ser a mais literal possível: o público surdo precisa entender por que a plateia ri ou se emociona, haja ou não palavrões na letra.

Adriana Lopes, com 20 anos de carreira, é CODA, sigla em inglês para filhos de pais surdos. Ela aprendeu a língua de sinais em casa, na infância, e disse que o trabalho no festival garante aos pais o mesmo direito de curtir os shows que os demais.

Ao Portal Democrata, o intérprete Thiago Lima resumiu a preparação: “Estudar o que as bandas performam prioriza a qualidade da interpretação. A expressão corporal é fundamental na comunicação em Libras”.

Os números variam

Os relatos sobre o tamanho da equipe não batem. O Brasil em Folhas fala em 35 intérpretes; o Portal Democrata, em texto de 6 de setembro, citou 16 se revezando nos telões dos três principais palcos. Os palcos também mudam: a página de acessibilidade do site oficial do festival cita a tradução em Libras nos telões dos palcos Mundo, Sunset e Favela. As fontes não explicam a diferença.

O Portal Democrata descreveu ainda o Sinta o Som: o visitante surdo informa na Central de Acessibilidade o show que quer ver e recebe o apoio de um intérprete e um colete sensorial que amplifica a vibração da música. A página oficial apresenta o Sinta o Som como um espaço em frente aos palcos, perto das caixas de som, com capacidade limitada.

O que o bastidor tem em comum com a Libras em vídeo

Fundo verde, câmera, retorno de áudio e troca programada de profissionais: o bastidor do festival lembra muito a gravação de uma janela de Libras para vídeos. A diferença é que, no palco, tudo acontece em interpretação simultânea, sem chance de regravar, o que torna o preparo e o revezamento dos tradutores e intérpretes de Libras ainda mais importantes.

O festival já tem história com a Libras. Em 2022, o blog contou como o show de rap de Papatinho e L7nnon teve intérpretes no Palco Sunset e como o intérprete surdo Leo Castilho se destacou no festival.

Créditos e referências

Texto: Equipe LIBRAS.SE, com informações do Brasil em Folhas, do Portal Democrata, do site oficial do Rock in Rio, do Jornal do Brasil e da Billboard Brasil.

  1. Brasil em Folhas. “Equipe de Libras traduz shows do Rock in Rio em tempo real”. 11 de setembro de 2026.
  2. Portal Democrata. “Rock in Rio 2026: Acessibilidade para cegos e surdos”. 6 de setembro de 2026.
  3. Rock in Rio. “Acessibilidade”, página do site oficial do festival. Consultada em 10 de outubro de 2026.
  4. Jornal do Brasil. “Rock in Rio 2026 estreia com palco gigante de LED e grandes nomes da música”. 4 de setembro de 2026.
  5. Billboard Brasil. “Rock in Rio apresenta novo formato do Palco Mundo”. 25 de novembro de 2025.
  6. Imagem de capa: ilustração criada com IA para a LIBRAS.SE.
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