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Intérprete de Libras pode ter que passar por prova prática para ser contratado

Aprovado em agosto pela Comissão de Educação do Senado, o PL 3.878/2024 exige avaliação prática de tradutores, intérpretes e guias-intérpretes de Libras. O texto agora está na Câmara e ainda não virou lei.

Por Equipe LIBRAS.SE3 min de leitura
Intérprete de Libras sinaliza no Plenário do Senado Federal
Intérprete de Libras no Plenário do Senado, em abril de 2024. Foto: Pedro França/Agência Senado.

Tradutores, intérpretes e guias-intérpretes de Libras podem passar a ter que mostrar, na prática, o que sabem fazer antes de serem contratados. É o que prevê o Projeto de Lei 3.878/2024, aprovado em 12 de agosto pela Comissão de Educação e Cultura do Senado, por 14 votos a 0.

A decisão foi terminativa e não houve recurso ao Plenário, então o Senado enviou o texto à Câmara dos Deputados em 24 de agosto. O projeto segue em tramitação e só vale se for aprovado pelos deputados e sancionado.

O que o projeto muda

Apresentada em 2024 pelo então senador Castellar Neto (PP-MG), a proposta altera a Lei 12.319/2010, que regulamenta a profissão de TILS. Desde a Lei 14.704/2023, essa lei exige formação específica: curso técnico ou graduação em tradução e interpretação em Libras ou, para quem se formou em outra área, cursos de pelo menos 360 horas e exame de proficiência.

O texto aprovado no Senado soma a isso a aprovação em uma "banca de avaliação prática e de competências". Ela pode acontecer em processos seletivos simplificados, concursos públicos ou entrevistas. Os critérios para cada contexto, como educação, saúde, cultura e Justiça, ficam para uma regulamentação específica, ouvidas as organizações da comunidade surda.

A banca reúne docentes surdos, docentes sinalizantes de Libras com experiência na área e tradutores-intérpretes e guias-intérpretes de universidades com pesquisa no tema ou de organizações da comunidade surda. Uma emenda limitou a regra à profissão ligada à Libras, sem mexer nas normas dos tradutores públicos e intérpretes comerciais. Se virar lei, a mudança passa a valer 180 dias após a publicação.

O senador Humberto Costa (PT-PE), que leu na comissão o relatório de Flávio Arns (PSB-PR), explicou à Rádio Senado por que a prova importa:

"Dada a complexidade e a importância da interpretação de Libras nos mais diversos contextos, é essencial que seja assegurada a competência prática do profissional, além da formação teórica, de forma a conferir concretude e a igualdade material das pessoas com deficiência."
Ilustração de um intérprete sinalizando diante de uma banca de três avaliadores, uma delas surda, que respondem em Libras e fazem anotações
Uma banca avalia, na prática, a interpretação em Libras. | Ilustração criada com IA

O que pediram a Feneis e a Febrapils

A Feneis e a Febrapils, federação que reúne as associações de tradutores, intérpretes e guias-intérpretes de língua de sinais, enviaram a Arns uma nota técnica conjunta com uma "proposta consensual" de ajustes. O documento, numerado 006/2025, foi divulgado no site da Feneis em 21 de agosto.

As entidades pediram que a avaliação olhe também para habilidades interpessoais e ético-culturais, que os critérios sejam construídos com entidades da comunidade surda e dos profissionais e que a banca tenha ao menos uma pessoa surda sinalizante de Libras com conhecimento na área.

Parte das sugestões aparece no texto enviado à Câmara, como a expressão "avaliação prática e de competências" e os docentes sinalizantes na banca. Já a presença obrigatória de uma pessoa surda sinalizante não foi escrita como a nota propõe: o texto cita docentes surdos entre os possíveis integrantes.

Por que a qualidade pesa para quem contrata

Ao apresentar o projeto, o autor citou uma pesquisa da Feneis: segundo a entidade, muitos profissionais têm a formação exigida, mas não desenvolvem as habilidades técnicas para interpretar bem. Para escolas, hospitais, órgãos públicos e empresas, esse é o ponto central. O diploma mostra a formação; a prova mostra se o intérprete leva a mensagem com fidelidade naquele contexto. Veja o papel do intérprete de Libras na sociedade e como planejar a Libras em eventos sem improviso.

E a Libras para todos os alunos?

Na mesma reportagem, a Rádio Senado lembrou o PL 2.062/2025, do senador Jaime Bagattoli (PL-RO), que propõe ensinar Libras a todos os estudantes da educação básica, em escolas públicas e privadas. O texto ainda passará pelas comissões de Direitos Humanos e de Educação. A educação bilíngue de surdos já está na lei desde 2021, como mostramos no post sobre o intérprete na escola bilíngue.

Créditos e referências

Texto: Equipe LIBRAS.SE, com informações da Rádio Senado, da Agência Senado, do Senado Federal e da Feneis.

  1. Rádio Senado. Ensino de Libras ainda enfrenta desafios para avançar. Reportagem de Yasmim Rodrigues, 9 de setembro de 2026.
  2. Agência Senado. Avaliação prática poderá ser exigida de intérpretes e tradutores de Libras. 12 de agosto de 2026.
  3. Agência Senado. Proposta exige avaliação prática para intérpretes de Libras. 4 de novembro de 2024.
  4. Senado Federal. Projeto de Lei 3.878/2024: tramitação e autógrafo enviado à Câmara (24 de agosto de 2026). Consulta em 10 de outubro de 2026.
  5. Feneis. Nota Técnica 006/2025: Feneis e Febrapils apresentam proposta consensual sobre o PL 3.878/2024. 21 de agosto de 2026.
  6. Presidência da República. Lei 12.319/2010, com a redação dada pela Lei 14.704/2023.
  7. Imagem de capa: Pedro França/Agência Senado. Ilustração no corpo do texto criada com IA para a LIBRAS.SE.
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