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Cultura Surda · Data

Dia Internacional das Línguas de Sinais

Celebrado em 23 de setembro, o dia conscientiza sobre a importância das línguas de sinais para a inclusão das pessoas surdas em todo o mundo.

Por Jéssica Rodrigues Publicado em Atualizado em 5 min de leitura

O que é o Dia Internacional das Línguas de Sinais? É a data da ONU, celebrada todo 23 de setembro, que lembra a importância das línguas de sinais para os direitos humanos das pessoas surdas. Foi criada pela resolução A/RES/72/161, de 2017, a pedido da Federação Mundial dos Surdos (WFD), e o dia escolhido marca a fundação da WFD, em 1951.

O dia 23 de setembro é significativo para toda a comunidade surda mundial: é o Dia Internacional das Línguas de Sinais, proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em 19 de dezembro de 2017 e celebrado desde 2018. A resolução foi apresentada pela missão de Antígua e Barbuda, teve 97 Estados-membros como coautores e foi aprovada por consenso.

A data se apoia na Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que reconhece as línguas de sinais como iguais em status às línguas orais e pede aos países que facilitem o seu aprendizado e promovam a identidade linguística da comunidade surda.

Por que 23 de setembro

Você sabia?

A escolha não é por acaso: em 23 de setembro de 1951 foi criada a Federação Mundial dos Surdos (WFD, na sigla em inglês), um marco na defesa de direitos. Um de seus objetivos é a preservação das línguas de sinais e da cultura surda como requisito para os direitos humanos das pessoas surdas. Em 2026, a data marcou os 75 anos da federação.

Foi a própria WFD que propôs o dia à ONU. Hoje a federação reúne mais de 130 organizações nacionais de surdos e, segundo a ONU, representa mais de 70 milhões de pessoas surdas no mundo.

O que diz a resolução da ONU

A resolução A/RES/72/161 não cria só uma data no calendário. Ela afirma três ideias:

A Semana Internacional dos Surdos

O Dia Internacional das Línguas de Sinais acontece dentro de uma celebração mais antiga, a Semana Internacional dos Surdos, promovida pela WFD em setembro. Ela foi celebrada pela primeira vez em setembro de 1958, e o dia 23 passou a fazer parte dela em 2018.

Em 2026, a semana foi de 21 a 27 de setembro, com o tema "Declarando os direitos humanos das pessoas surdas". Cada dia teve um assunto: os 20 anos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a educação multilíngue e inclusiva, o acesso a serviços na língua de sinais do país, o "nada sobre nós sem nós", a cultura surda como direito e os 75 anos da WFD.

Setembro Azul no Brasil

No Brasil, setembro ficou conhecido como Setembro Azul, o mês de visibilidade da comunidade surda. Além do dia 23, o mês tem o Dia Nacional dos Surdos, em 26 de setembro, instituído pela Lei nº 11.796/2008 em homenagem à fundação da primeira escola para surdos do país, em 1857, hoje o INES. O símbolo do mês é a fita azul, apresentada em 1999 no Congresso Mundial da WFD, na Austrália.

Para conhecer as outras datas, os artefatos culturais e as pessoas que marcaram essa história, veja o guia de cultura surda.

Não existe língua de sinais universal

Segundo a ONU, as pessoas surdas do mundo usam mais de 300 línguas de sinais diferentes. Elas são línguas naturais completas, com gramática própria e estrutura distinta das línguas orais, e cada uma nasceu do convívio de uma comunidade surda. Por isso, não existe uma língua de sinais universal: o Brasil tem a Libras, Portugal tem a Língua Gestual Portuguesa, os Estados Unidos têm a ASL.

Existe o sinal internacional, usado em encontros entre surdos de países diferentes, mas a ONU o descreve como uma forma simplificada, com vocabulário limitado, que não substitui as línguas de cada país. E mesmo dentro de um país pode haver mais de uma língua de sinais: no Brasil, povos indígenas têm línguas de sinais próprias, como mostramos no post sobre as outras línguas de sinais do Brasil além da Libras. No Censo 2022, o IBGE contou 2,6 milhões de pessoas com dificuldade para ouvir mesmo com aparelho auditivo.

A Libras é língua oficial?

Esclarecendo um mito

Muita gente acha que a Libras é a "segunda língua oficial" do Brasil. Não é bem assim: a Lei nº 10.436/2002 reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão, mas torná-la oficial exigiria uma emenda constitucional aprovada pelo Congresso.

A diferença entre reconhecimento legal e idioma oficial está explicada em Libras não é segunda língua oficial do Brasil.

Como participar

O dia é um bom pretexto para ações que continuam depois de setembro:

Créditos e referências

Texto: Jéssica Rodrigues, com informações da ONU, da Federação Mundial dos Surdos, da UFRGS, da UFMG, do IBGE e da legislação federal.

Perguntas frequentes

Quando é o Dia Internacional das Línguas de Sinais?
Em 23 de setembro. A data foi proclamada pela ONU em 2017, pela resolução A/RES/72/161, e é celebrada desde 2018.
Por que a data é 23 de setembro?
Porque em 23 de setembro de 1951 foi fundada a Federação Mundial dos Surdos (WFD), a entidade que propôs o dia à ONU.
Existe uma língua de sinais universal?
Não. Segundo a ONU, há mais de 300 línguas de sinais no mundo, cada uma com suas características. A do Brasil é a Libras. O sinal internacional, usado em encontros entre países, tem vocabulário limitado e não substitui as línguas nacionais.
O que é o Setembro Azul?
É o mês de visibilidade da comunidade surda no Brasil. Reúne o Dia Internacional das Línguas de Sinais (23 de setembro) e o Dia Nacional dos Surdos (26 de setembro, Lei nº 11.796/2008), e tem a fita azul como símbolo.
A Libras é a segunda língua oficial do Brasil?
Não. A Libras é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão pela Lei nº 10.436/2002, mas não é língua oficial: a Constituição define o português como idioma oficial, e mudar isso exigiria uma emenda constitucional.
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