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Língua & Cultura · Cinema

O que o filme ganhador do Oscar ensina sobre Libras

"O Som do Silêncio" não é um filme sobre deficiência. É uma experiência de ver o mundo sem ouvir, e uma aula sobre identidade surda e língua de sinais.

Por Luis Debiasi e Joab Mariano Publicado em Atualizado em 4 min de leitura

Em "O Som do Silêncio" (Sound of Metal), de Darius Marder, Riz Ahmed interpreta Ruben, um baterista que perde a audição de forma súbita e passa a viver em uma comunidade de surdos. Para alguém que tem a música como sonho, o drama da surdez parece devastador. Mas o filme vai muito além disso.

Mais do que um drama sobre perda

Ganhador de duas estatuetas do Oscar, Melhor Som e Melhor Montagem, o longa não é sobre deficiência. É sensível o bastante para não se bastar no sofrimento: é uma experiência de ver o mundo, junto de Ruben, sem escutar. Com edição e mixagem de som notáveis, o público sente o silêncio e o ruído como parte da história, aquilo que os teóricos chamam de janela cinematográfica.

Você sabia?

No filme é usada a ASL (língua de sinais americana). A legenda só aparece quando Ruben de fato aprende a se comunicar, e Riz Ahmed aprendeu a língua para contracenar com um elenco de dezenas de pessoas surdas. Quando o filme foi lançado, Marlee Matlin, por "Filhos do Silêncio" (1986), era a única pessoa surda a ter vencido um Oscar de atuação. Em 2022, Troy Kotsur, de CODA, se tornou o primeiro homem surdo a ganhar o Oscar de atuação.

Identidade surda, não conserto

Joe, o guru da comunidade, deixa explícito: surdos que se apropriam de sua identidade surda e usam a língua de sinais não estão "quebrados" e não precisam ser consertados. O que precisa mudar são as barreiras impostas pela sociedade, para que possam conviver, trabalhar e interagir com respeito, comunicação direta e olho no olho.

O filme ergue a bandeira da comunicação pela língua de sinais, língua materna garantida por direito, mas muitas vezes negada, que torna os surdos "estrangeiros no próprio país".

Equipe LIBRAS.SE

Cinema como ferramenta política

Historicamente, o cinema é usado como ferramenta de discussão política. Nesse sentido, o filme é um passo da Academia para colocar acessibilidade e inclusão no centro do debate, não só para que surdos entendam os filmes, mas para que participem deles. Vale lembrar: no Brasil, a Libras é reconhecida pela Lei nº 10.436/2002, regulamentada pelo Decreto nº 5.626/2005, mas ainda há muito a cumprir.

Créditos e referências

Texto: Luis Debiasi e Joab Mariano, com informações da ABC7 e do AdoroCinema.

Perguntas frequentes

"O Som do Silêncio" é sobre deficiência?
Não exatamente. O filme aborda a surdez, mas seu foco é a experiência de ver o mundo sem ouvir e a apropriação da identidade surda, mais do que a deficiência em si.
Que língua de sinais aparece no filme?
A ASL, língua de sinais americana. O ator Riz Ahmed aprendeu a língua para contracenar com um elenco de pessoas surdas.
Qual a única atriz surda a ganhar um Oscar de atuação?
Marlee Matlin, por "Filhos do Silêncio" (1986). Quando "O Som do Silêncio" foi lançado, ela era a única pessoa surda com um Oscar de atuação. Em 2022, Troy Kotsur, de CODA, se tornou o primeiro homem surdo a ganhar o Oscar de atuação.
#cinema #oscar #língua de sinais #identidade surda #comunidade surda

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